Príncipe saudita hackeou celular de Jeff Bezos com vídeo enviado pelo WhatsApp, diz jornal
Roubo de informações pode ter
relações com divórcio e exposição da vida íntima do executivo da Amazon.
Especialista em segurança do G1 explica que é possível, mas seria caso raro.
O homem mais rico do mundo, Jeff
Bezos, fundador e presidente da Amazon, teve seu celular hackeado em 2018
depois de receber uma mensagem no WhatsApp, enviada por Mohammed bin Salman,
príncipe e herdeiro do trono da Arábia Saudita. A informação foi dada nesta
terça-feira (21) pelo jornal britânico "The Guardian", que teve
acesso a uma investigação sobre o caso.
A embaixada da Arábia Saudita nos
Estados Unidos não comentou a reportagem, e um advogado de Bezos afirmou que
não iria dar declarações, mas que o executivo estava cooperando com
investigações".
Em quais circunstâncias um vídeo
pode roubar informações do seu celular?
De acordo com o
"Guardian", uma análise mostrou que "é altamente provável"
que a invasão teria acontecido quando Salman enviou um vídeo infectado ao
executivo. O jornal afirma que os dois estavam tendo uma conversa amigável e
que o príncipe enviou o arquivo no dia 1º de maio de 2018.
A embaixada da Árábia Saudita nos
Estados Unidos considerou a suspeita de envolvimento da coroa saudita no caso
Bezos como "absurda", em post feito no Twitter na última terça. E também
defendeu que exista uma investigação, mas não apontou quem deveria fazê-lo.
Segundo o especialista em
segurança digital e colunista do G1, Altieres Rohr, é possível que um vírus
seja executado por meio de um vídeo ou pelo link para um vídeo, mas trata-se de
uma situação rara: "Essas falhas são muito difíceis de explorar em
celular", afirma (leia mais ao fim da reportagem).
Em novembro passado, o WhatsApp
disse que corrigiu uma falha que podia atacar celulares com arquivos de vídeo,
mas afirmou que não havia qualquer informação que indicasse que esta brecha foi
utilizada em ataques reais (veja como atualizar seu celular).
Divórcio e chantagem
Além da Amazon, Bezos é dono do
jornal americano "The Washington Post", cujo jornalista e articulista
Jamal Kashoggi — famoso por ser crítico ao governo saudita — foi brutalmente
assassinado em um consulado da Arábia Saudita na Turquia em outubro de 2018.
Entenda o caso do jornalista da
Arábia Saudita morto na Turquia
pela National Enquirer teve
"motivações políticas".
Segundo o "The
Guardian", o celular de Bezos está sendo inspecionado por especialistas
desde que o "National Inquirer" publicou as primeiras reportagens, em
janeiro de 2019.
Cerca de 9 meses depois de ter
sido supostamente hackeado, Bezos veio a público denunciar o tabloide americano
"National Enquirer" por usar fotos íntimas para chantageá-lo.
Um mês antes da denúncia, Bezos
havia anunciado um divórcio e teve detalhes de sua relação extraconjugal
revelados pelo mesmo tabloide minutos após o anúncio da separação.
O caso levou o dono da Amazon a
iniciar uma investigação contra a editora da publicação, a American Media Inc
(AMI). A equipe de Bezos chegou a afirmar que a cobertura do caso feita
O diretor de segurança pessoal de
Bezos, Gavin de Becker, já havia acusado o príncipe saudita de atacar o celular
do executivo em março do ano passado, mas não deu detalhes de como isso teria
acontecido.
De Becker também descreveu na
ocasião o "relacionamento próximo" que Mohammed bin Salman
desenvolveu com David Pecker, presidente da AMI, nos meses que antecederam a
reportagem sobre a relação extraconjugal de Bezos.
A Arábia Saudita negou à época as
acusações de que estaria envolvida na divulgação das histórias sobre Bezos e a
AMI disse que recebeu de uma fonte as informações que foram publicadas.
Vírus em vídeo no celular
Especialista em segurança digital
e colunista do G1, Altieres Rohr, em se confirmando que houve a invasão por
meio de um vídeo enviado ao celular de Bezos, é grande a probabilidade de que
tenha sido algo voltado especificamente para ele.
"Vamos dizer que a pessoa
prepara um vídeo para você, e tudo só vai funcionar no seu aparelho. Se enviar
para o meu, já é provável que não dê certo", diz.
A melhor forma de se proteger
desses tipos de ameaça é manter o aparelho atualizado, alerta o colunista do
G1.
Segundo Rohr, um vírus em um
vídeo para celular não age da mesma forma que um vírus enviado por e-mail, por
exemplo.
"É um pouco mais complicado.
Você não coloca o vírus diretamente dentro do vídeo. Você cria um vídeo
especial, de tal forma que vai enganar o reprodutor de vídeo (do aplicativo) e
jogar o vídeo pra área errada, na memória", explica. "Em vez da área
de dados, vai para a área de código."
Ele alerta que nem sempre é
preciso reproduzir o vídeo para executar o vírus. "Por exemplo, quando
você recebe um vídeo no Whatsapp é normal que tenha uma miniatura desse vídeo.
Dependendo de onde a falha está localizada, pode ser que já a função que cria a
miniatura esteja com algum problema. Nesse caso, só de receber o vídeo, o
código já será acionado na hora que o Whatsapp criar a miniatura."
Mas Rohr destaca que existe ainda
a possibilidade de que Bezos não tenha recebido um vídeo, e sim um link para um
vídeo, o que colocaria o caso como uma falha de navegador, que, segundo o
especialista, é muito mais comum.
Em outro caso, em maio passado, o
Facebook, dono do WhatsApp, detectou e corrigiu uma vulnerabilidade no sistema
de chamadas de vídeo do WhatsApp sistema que permitiria que hackers instalassem
de maneira remota um tipo de "spyware", um software espião, para ter
acesso a dados do aparelho, em alguns telefones.
Por: Davi Silva
Fonte: g1
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